Colunista Lígia Márcia Arcuri
O Aleitamento materno favorece a saúde bucal.

Tomar leite no peito traz mais benefícios do que a maioria das pessoas imagina. Além de aumentar a imunidade do bebê e fortalecer o vínculo com a mãe, contribui para a saúde oral da criança, a respiração e até a fala.

A lista de vantagens é extensa, o que explica o motivo de dentistas e fonoaudiólogos abraçarem as campanhas pelo aleitamento materno tanto quanto os pediatras. E defenderem que todas as mulheres ofereçam aos herdeiros somente o seio nos primeiros seis meses de vida.

Não é exagero dizer que sugar o leite da mãe pode levar a um sorriso mais bonito. Doutora em odontopediatria, Sylvia Lavínia M. Ferreira afirma que o esforço para movimentar a mandíbula durante a mamada não só estimula a musculatura da boca e o complexo maxilofacial como favorece o crescimento dos ossos do crânio e da face.



Na prática, “prepara” o espaço que será ocupado pelos dentes e colabora para que o posicionamento deles seja correto. Por isso, melhora também a mastigação e a deglutição.

Uma observação importante: ”Mamar no seio ajuda a afastar as cáries.” O alimento produzido pela mãe tem cálcio, fósforo e vitamina D, e a absorção desses nutrientes está diretamente ligada à qualidade do esmalte dentário. Isto não acontece da mesma forma com o leite artificial ou o de vaca. O efeito prevalece até nos dentes permanentes. Mas os dentes devem ser escovados ou higienizados normalmente, mesmo com leite materno e por serem bebês e terem poucos dentes. Nos 1° meses ainda sem dentes a mãe deve limpar a região dos dentes com uma fralda úmida e quando aparece o 1° dente pode usar as dedeiras.

Outra vantagem é prevenir que a criança desenvolva hábitos nocivos como chupar dedo ou bico, pois o instinto natural de sugar já é atendido. Sem falar que tamanha proximidade com a mãe pode tornar a chupeta menos interessante, reduzindo a chance de o pequeno ter uma maloclusão – mordida aberta ou cruzada – por uso prolongado do objeto.



Tudo isso não significa, é claro, que quem mamou no peito está livre de ter um problema bucal no futuro. “Mas o aleitamento materno é preventivo”, esclarece Sylvia, vice-presidente do 17º Congresso Latinoamericano de Odontopediatria. A importância da amamentação se dá inclusive para a respiração do bebê, pois ele é obrigado a coordenar esse ato com a sucção do seio.



Boa parte dos benefícios da amamentação está ligada à força que a criança tem que fazer para puxar o leite. Na mamadeira, o esforço é muito menor. “O nível de dificuldade leva ao desenvolvimento da musculatura da boca, do lábio, da bochecha e da língua. Tudo vai se refletir na articulação da fala”, diz a fonoaudióloga clínica Maria Carmem Monteiro Teixeira. Por isso, quem é amamentado pode ter maior facilidade para fazer, por exemplo, sons vibrantes, como o “r” de “Bruno”.

O aparelho auditivo, quem diria, também agradece, pois o risco de otites é menor. “O leite pode chegar até o ouvido se a mamadeira estiver na posição errada”. A naturalidade com que acontece a sucção no peito praticamente descarta essa chance.

“Amamentar é um momento único.” Não dá para descrever a relação que se cria com o bebê. É algo muito emotivo, a troca de olhares, o contato físico gostoso, só sendo mãe para saber”...



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