Rose Fonseca
Norma Eliete - COMO SE DEU SEU ENVOLVIMENTO COM A ARTE?
Rose Fonseca – Eu não tinha a menor idéia do que era arte... Eu olhava para uma pintura, uma fotografia, uma xilogravura e tudo me parecia igual... Eu não sabia a diferença de uma escultura para uma estátua... Aos 24 anos me casei com Ricardo Molmenti Teragni, neto do grande mestre italiano, Atílio Teragni, que viveu e morreu na Argentina. Além da referência do seu avô, Ricardo é filho de uma artista plástica e escritora argentina, Dora Teragni. Toda essa base serviu para torná-lo um respeitável crítico de arte na Argentino e como está escrito: "o indivíduo é fruto do meio..."

NE – VOCÊ SE INSPIRA EM ALGUM CURADOR?
RF – Admiro um bom trabalho, seja ele em qualquer segmento, mas não sou influenciada por seus autores. A prova disso é que decidi fazer meu curso em 3 países. Assim, teria um currículo com todas as tendências, desde o berço das artes, conhecendo a curadoria no velho mundo e nos Estados Unidos e descobrir minha própria forma de trabalho.

NE – QUE DIFERENÇAS VOCÊ ENCONTRA NA CURADORIA DE UMA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL E EM UMA COLETIVA?
RF – Em se tratando de uma coletiva, a diferença está em buscar a harmonia no relacionamento entre os artistas e a harmonia, também, na exposição dos seus trabalhos. Quanto ao meu empenho, minha dedicação, minha paixão, é igual...

NE – QUE CRITÉRIOS VOCÊ UTILIZA PARA SELECIONAR UM ARTISTA?
RF – O mestre Picasso disse que "passou a vida inteira pintando para um dia conseguir pintar igual a uma criança"... Então, qual o critério para o talento?! Chega um momento em que vale até a intuição, alcançada com o estudo e com a experiência (apesar de me considerarem e eu, também, me considerar uma curadora ainda jovem).

NE – COMO SURGIU A IDÉIA DE CRIAR A EXPOSIÇÃO "JOIA DO SERTÃO BAIANO"?
RF – Em 2005 realizei a exposição BA&BA - Bahia e Buenos Aires Unidas pela Arte. Exposição que aconteceu, em Buenos Aires, no Museu Quinquela Martin e em Salvador, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Meu pai ficou orgulhoso do meu trabalho e acreditou que eu deveria fazer o mesmo pela arte conquistense, já que, segundo ele, "eu era uma curadora conquistense e portenha". Quanto ao nome do projeto, é uma homenagem a Vitória da Conquista, a partir do primeiro verso do hino da minha terra natal, cidade onde vivi até os meus 16 anos...

NE – O SEU POSICIONAMENTO NESTE PROJETO É DE CURADORA. COMO FOI ESTE PROCESSO DE ESCOLHA DOS ARTISTAS QUE PARTICIPARÃO DESTA EXPOSIÇÃO?
RF – O processo de escolha foi difícil, dada à diversidade e à multiplicidade de opções apresentadas. Visitei vários artistas e selecionei 9, um número que sempre utilizo nas coletivas, por ser o meu número de sorte. Nesse processo conheci os nomes que meu pai mencionava e gostava.

NE – AS OBRAS QUE COMPÕEM A EXPOSIÇÃO SÃO REUNIDAS SOB UMA TEMÁTICA?
RF –Não! O tema é livre, embora, tanto na pintura quanto na fotografia, o sertão será lembrado... Até mesmo na escultura, pois um dos artistas esculpe em uma madeira típica da caatinga.

NE – PODE NOS CONTAR UM POUCO DA SUA TRAJETÓRIA NAS ARTES?
RF – Comecei em 1999 com a Exposição Lágrimas de Rigoberta Menchú, do mestre Fontán, pintor e escultor argentino; Neste mesmo ano, realizei a Exposição Três Mulheres Brasileiras Residentes na Argentina; Em 2000 passei a ser sócia da Galeria Alvear Art Joias, onde foram realizadas grandes exposições de artistas plásticos argentinos e estrangeiros... A inauguração foi com a mestre Ides Kihlen, artista plástica, viva, com o trabalho mais caro no mercado das artes da Argentina. Com ela, viajei para São Paulo, expondo na Galeria Caribé e em Salvador, no MAM. Durante este período em que tive a galeria, curei uma exposição do mestre Atílio Teragni (que considero meu melhor trabalho), realizado no Museu de Belas Artes, o mais importante Museu da Argentina, onde, não só utilizei suas obras, que estavam na Argentina, como também pedi emprestadas as que estavam em Florença, Roma, Paris, São Petersburgo... Expus todo o material que ele utilizava para trabalhar; pincéis, tintas, óleos, fotografias, cartas, correspondências em diversos idiomas e até a última obra, ainda no cavalete, inacabada. Expus a cama do meu filho, que era a cama de Atílio, seu bisavô, quando solteiro; feita pelo seu pai, marceneiro, trazida, de barco, da Itália. Então, meu filho, eu e meu marido passamos a dormir no colchão, porque a nossa cama, também em exposição, era a cama matrimonial. Esta, feita pelas próprias mãos desse mestre, pintada, por ele mesmo; seu auto retrato e o retrato de sua esposa. Na cabeceira e nos pés da cama, a pintura de anjos lindíssimos!

Eu poderia lembrar outros trabalhos importantes, porém este marca minha carreira, pois os críticos o denominaram "criativo", "ousado", "difícil", "corajoso"!

Por outro lado, esse trabalho foi um reconhecimento, uma retribuição, uma honra, uma vontade muito grande de curar uma exposição de um grande nome que convivi, todos os dias. A título de atender a ordem cronológica, a exposição mais recente que curei, fora da Argentina, foi a do Conde Jesus Passos, escultor de Barcelona, em Roma, na primeira quinzena de junho, neste ano de 2012. Já tive o privilégio de realizar uma exposição desse mesmo artista no Museu de Arte Decorativa de Buenos Aires, em 2008.

NE – DO PONTO DE VISTA HISTÓRICO QUAL É O PAPEL DO CURADOR NO DESENVOLVIMENTO DA ARTE CONTEMPORÂNEA?
RF –Ser muito fiel ao que o curador acredita. Estar sempre em dia com as exposições para saber tudo que está acontecendo. E quando receber currículos, catálogos (que são muitos), ter a sensibilidade e o compromisso de ver, de observar. Se tiver oportunidade, ajudar. Pois pode sair daí um grande artista, como já aconteceu comigo. A exemplo de Cristina Trovato, artista argentina.

NE – EXISTE A PROPOSTA DESTE PROJETO OU DE OUTRO SEMELHANTE PARA 2013?
RF –Sim. Em 2013, no primeiro semestre, pretendemos levar a Exposição Joias do Sertão Baiano para o Museo de Bellas Artes de la Boca "Benito Quinquela Matin", em Buenos Aires; Em abril, estará expondo, na Galeria Arcin Boldo, Tati Moreno, do dia 2 ao dia 26; De 1 a 30 de maio, na Galeria Raizes Americanas, o fotógrafo soteropolitano Oscar Dourado. De 1 a 30 de setembro, o talentoso artista plástico baiano Alberto José da Costa Borba, conhecido por muitos, por Bel Borba. E em 2014, a Segunda Edição do BA&BA - Bahia e Buenos Aires Unidas pela Arte, onde homenagearemos o grande artista plástico Calazans Neto.

NE – DEIXE UMA FRASE.
RF –"Conquista, joia do sertão baiano..."



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