HOMENAGEADO DA SEMANA
Carlos Jehovah

Carlos Jehovah de Brito Leite, nascido a 7 de novembro de 1944, em Vitória da Conquista, traz um traço atávico no gen dos Meira Leite pendores para o trato com a palavra. De cedo, embrenha-se pelo mundo da Literatura cavalgando território condoreiro do poeta da liberdade, Castro Alves.

Ainda adolescente, deixou-se permear pela irrealidade concreta da poesia e nas suas águas lançou-se sem bote de salvação. Como poesia e teatro são tecidos siameses, iniciou sua vida de escritor, poeta e dramaturgo, com a peça Os Sacanas, prefaciada pelo vate mais premiado da Bahia, Camilo de Jesus Lima.

Em seguida, tangido pelos ventos da sanha libertária, escreveu o livro de poemas "Cicatriz", também prefaciado por Camilo, que via no jovem poeta sucessor das suas dores e seus gritos contra a chaga da desigualdade e da fome. Posteriormente, publica "Quotidiano", com poemas mais incisivos, deixando à mostra sua predileção pelas causas sociais, com comentários elogiosos de Hemwes Lima.

Obras publicadas num cenário adverso, posto que a Ditadura Militar exauria todas as possibilidades de livre pensar. Em parceria com Mozart Tanajura, escreveu "O Corpo do Morto", um marco do teatro conquistense, pela ousadia de expor uma fotografia em preto e branco do quadro de abandono e penúrias do sertão nordestino. Dessa matéria árida e fecunda, moldou "Elias das Caraíbas", um poema desenhado para cinema, tal a crueza da realidade naturalista exposta. Com Esechias Araújo Lima, tem produzido uma parceria profícua, a partir do "Auto da Gamela", prefaciado por Rachel de Queiroz, estuário de prêmios pelo Brasil afora.

Encetada a viagem às veredas literárias, no pródigo tecido das mazelas e das angústias sociais foi desenhando cada personagem da sua imensa galeria de faces, chancelando sempre e sem temor o grito dos anônimos, com o martelo indomável dos seus versos. Largamente elogiado por nomes da literatura nacional, como: Jorge Amado, que lhe ofereceu o acesso à Universidade de Coimbra, para exposição do Auto, Mário Cabral, do jornal "A Tarde", lvan Cavalcante de Proença, critico literário, nacionalmente respeitado. Dando prosseguimento à parceria com Lima, produziu: Águas do Meio-Dia, trabalho sobre a guerra por uma telha dágua nas desérticas paragens sertanejas, Carpinteiros do Verbo, para saudar Conselheiro, Ciranda dos Ofícios, musical sobre as primeiras profissões da História, Romanceiro dos Urubus Urbanos, um dedo em riste sobre a cara da indiferença e da alienação social.

Do irrequieto latejamento poético, no arco universal do constante produzir, escreveu: Oratório de Jesus Cristo, poema dramático de insinuação suprarreligiosa, pelo cunho místico e de denúncia, à sombra do ministério do Nazareno, A Ceia das Gaivotas, Cabaré do Cais. Sua pena, de latejar poético, não defende outro traquejo, senão a vida de cada personagem, cada estrofe, cada verso.

Para o poeta e dramaturgo Carlos Jehovah, seus trabalhos têm de expressar a dor coletiva, o espírito da unificação, a pulsação social que faz do homem um ser em constante busca de sentido para sua breve história sobre a face Terra.


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