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Dia da Independência da Bahia

O aspecto da cidade de Salvador por volta de 2 de julho de 1823 era aterrador. Figuras lúgubres se esgueiravam pelas ruas da capital cheia de cadáveres mutilados e em putrefação, completando uma cena tétrica. Os dias que culminaram na Independência da Bahia foram de muita desolação e violência; ao contrário da Independência do Brasil - cerca de nove meses antes -, o 2 de Julho não foi um acontecimento meramente formal, como pode ser considerado o grito do Ipiranga. A conflagração na Bahia, que se sucedeu a uma série de eventos que refletiram a insatisfação popular com o domínio português foi o resultado de um esforço hercúleo empreendido pela legítima população soteropolitana e de outras cidades do Recôncavo. A guerra foi de fundamental importância na medida em que consolidou a independência da nação brasileira, uma vez que os portugueses - sabe-se - tinham planos de retornar ao sul para reconquistar o domínio da colônia.

O banho de sangue que então aconteceu fez do 2 de Julho uma data na qual se iriam celebrar posteriormente o desfecho de uma luta muitíssimo justa, em que a valentia morena da nossa população se demonstrou da maneira mais eficiente e incontestável. Os elementos raciais que se envolveram nos combates levam a reconhecer um verdadeiro sentimento de unidade e revelam a identidade racial e cultural brasileira, embora embrionária, então. A participação de brancos, pardos, indígenas, caboclos e negros deixa indiscutível evidência de que nosso país tendia, em sua feição cultural, ainda que heterogênea, ao que se costuma chamar nossa "democracia racial". Os portugueses - escravocratas - e outros europeus, para o bem ou para o mal, foram escorraçados naqueles dias na capital baiana, numa demonstração de brios mestiços ainda que fatos como a incompreensível participação do Quilombo dos Urubus na luta - apoiando os portugueses - viessem a acrescentar uma nota de non pense ao conflito.

Relevantíssima foi a participação do caboclo na conflagração. Tanto é assim que o principal monumento evocativo da luta é o que tem a estátua do caboclo em sua cimeira. O Monumento ao 2 de Julho (inaugurado em 1896) é comparável aos mais suntuosos de Paris, por exemplo, com suas figuras humanas belíssimas enfeitando a Praça 2 de Julho, também chamada Campo Grande, num dos bairros mais nobres da cidade do Salvador.


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